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Canto Litúrgico: tesouro de inestimável valor (3)

A peculiaridade do canto litúrgico em relação às outras formas musicais cristãs reside na sua sacramentalidade. O canto da assembléia em nossas celebrações, nas suas mais variadas formas, nos situa dentro do diálogo da Aliança com o Senhor, como filhos no Filho. Realiza em nós e entre nós a intimidade e a comunhão com o Pai, através da fraternidade dos irmãos e irmãs reunidos em oração e em união vocal. É o canto do Filho ao Pai, que brota do amor (Espírito) que os enlaça. Ao abrirmos os lábios em louvor, adentramos nesta relação que se dá no interior da Trindade.

Neste sentido, não é um canto que se pauta em nossa subjetividade, mas na objetiva fé eclesial. Ao conferir “carne” à Palavra, colabora para que os irmãos e irmãs que foram mergulhados na morte e ressurreição de Jesus entoem na vida cotidiana o canto novo que não é outra realidade senão a existência configurada à Páscoa de Cristo Jesus. Por isso, para ser litúrgico, além de estar intrinsecamente ligado aos ritos, o seu texto deve ter origem bíblica e eucológica, isto é, ser inspirado nas Escrituras e na própria oração da Igreja.

O canto litúrgico é epifânico porque manifesta e realiza em nós o mistério pascal de Jesus a partir de nosso corpo, a fim de que se espalhe na terra o Reinado de Deus. É construção de Deus e não nossa. É Liturgia (serviço) Divino no qual tomamos parte e através desta nossa colaboração, a história e o mundo vão sendo recriados à sombra do Espírito. Particularmente, o Ciclo do Natal nos leva a esta certeza: Deus fez-se corpo no Menino de Belém e manifestou-se a nós. Sua grandeza e seu poder nos foram regaladas na pequenez e fragilidade de um recém-nascido: “encontrareis um recém-nascido envolto em faixas” (Lc 2,12b). O canto litúrgico é isto: a Palavra divina manifestada na carne, a voz de Deus envolta nas “faixas” de nossos timbres.

Padre Márcio Pimentel
Especialista em Liturgia pela PUC-SP e mestrando em Teologia
na Faculdade Jesuíta de Teologia e Filosofia (Faje / Capes) 
Pároco da Paróquia São Sebastião e São Vicente

Para refletir

A esperança não decepciona (Rm 5,5)

Nesta perspectiva, a esperança em dias melhores deve pulsar o coração, a mente e as práticas cotidianas do povo. Esta é a nossa meta: ressuscitar a alegria da Nação, construindo uma sociedade justa.

Você Sabia

Outubro chega e com ele o mês missionário. Época que a Igreja convida os cristãos a colaborarem com as missões no mundo. Esse ano, o tema do mês, reforça a importância do discurso das Bem-Aventuranças: “Felizes os que promovem a Paz – Mt 5,9.