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A espiritualidade no cotidiano da vida familiar

A família é o espaço sagrado do amor e da vida a serviço da edificação do Reino de Deus.     Viver a espiritualidade na família é a maneira pela qual se torna possível se colocar no seguimento de Cristo, permanecer n’Ele e amá-lo.

Várias são as portas que podem se abrir para deixar aflorar a vida espiritual considerando todo o seu ser, sua exterioridade e sua interioridade, se sentindo chamado para estar no caminho que possibilita o encontro pessoal com Cristo.

Os primeiros passos para experimentar a espiritualidade na vida familiar começa com a oração. Ela nos faz perceber com maior nitidez a presença de Deus em nossa vida, nos ajuda a melhor confiar em Deus, acreditar no seu amor. Os pais devem sempre dar testemunho de vida de oração para seus filhos. A oração ajuda a família a ser forte e participar da fortaleza de Deus. Deve de ser uma busca constante e em comunhão, na família, dessa permanência em Deus. Diz Santa Tereza D’ Ávila: a oração e a vida cômoda não combinam.

O Papa Francisco fala sobre a comunhão familiar bem vivida. Esta família unida representa um caminho verdadeiro de santificação e de crescimento místico, um meio para a união íntima com Deus. As exigências fraternas e comunitárias da vida em família são uma ocasião para abrir cada vez mais o coração, e isto torna possível um encontro sempre mais pleno com o Senhor. Lê-se, na Palavra de Deus que “quem odeia o seu irmão está nas trevas” (1Jo 2,11), “permanece na morte” (1Jo 3,14) e não chegou a conhecer a Deus” (1Jo 4,8) (AG 316).

O Papa Francisco diz ainda: Se a família consegue concentrar-se em Cristo, Ele unifica e ilumina toda a vida familiar. Os sofrimentos e os problemas são vividos em comunhão com o Senhor e, abraçados a Ele, pode-se suportar os piores momentos (cf. AG 317).

Ao falar sobre a oração ele diz que a ela, feita em família, é um meio privilegiado para exprimir a fé pascal. Basta alguns minutos por dia  para estar unido ao Senhor, em oração: poder dizer a Ele sobre as coisas que preocupam, rezar pelas necessidades familiares, orar por alguém que está atravessando um momento difícil, pedir-lhe ajuda para amar, dar-Lhes graças pela vida e as coisas boas, suplicar à Virgem que os proteja com o seu manto (cf. AG 318).

O Papa Francisco sempre falou e se preocupou com a família. Desde o início de seu pontificado, ele já falava do cuidado e da ternura para com a mesma. Em vários de seus pronunciamentos foram encontrados fragmentos sobre sua fala em relação à família. Vejamos alguns ensinamentos que ele passa, ditos aqui de forma reduzida:

1. A importância de sonhar – Numa família, quando se perde a capacidade de sonhar, os filhos não crescem, o amor não cresce, a vida debilita-se e apaga-se. Então diz: “Não percais a capacidade de sonhar.

2. A família nos ensina a abertura ao outro – As relações baseadas no amor fiel, como o matrimônio, a paternidade, o ser filho ou irmão, amores estes que duram até  à morte, este amor é aprendido e vivido no núcleo familiar. Assim, perante uma visão materialista do mundo, a família oferece ao homem um canal para a realização dos seus desejos mais profundos.

3. Sem família não há humanidade –  Esta sua fala nos reportam à missão do casal de ser cocriadores com Deus. São eles os instrumentos para a continuidade da criação. “Sem a família a sobrevivência cultural da humanidade corre perigo”.

4. Ideologias que destroem a família – Diz o Papa que a família está ameaçada pelos crescentes esforços de alguns em redefinir a própria instituição do matrimônio mediante o relativismo, a cultura do efêmero, a falta de abertura à vida.

5. A crise da família – A família atravessa uma crise cultural profunda, como todas as comunidades e vínculos sociais. No caso da família, a fragilidade dos vínculos reveste-se de especial gravidade, porque se trata da célula básica da sociedade.

6. Cada filho é um milagre – Um filho muda a vida. Cada filho é fruto único do amor. Num mundo muitas vezes marcado pelo egoísmo, a família numerosa é uma escola de solidariedade e de partilha.

7. “perder tempo” com os filhos – É importante perder tempo com os filhos, brincar com eles.
8. O amor supera a dificuldade – Os filhos dão trabalho. Nas famílias há dificuldades, mas essas dificuldades podem ser superadas com amor.

9. Nunca deixar as pazes para depois – A vida matrimonial não é um caminho fácil, suave, sem conflitos. É um caminho laborioso, por vezes difícil, chegando mesmo a ser conflituoso, mas isto é a vida. É normal que os casais briguem, mas nunca deixes o dia terminar sem fazer as pazes.

10 – A harmonia que vem de Deus – A verdadeira alegria que se experimenta na família não é algo superficial, não vem das coisas, das circunstancias favoráveis…[…]. Na base deste sentimento de alegria profunda está a presença de Deus, o seu amor acolhedor, misericordioso, cheio de respeito por todos. Só Deus sabe criar a harmonia a partir das diferenças. A família que vive a alegria da fé é sal da terra e luz do mundo, é fermento para toda a sociedade.

Neuza Silveira de Souza
Coordenadora da Comissão Arquidiocesana Bíblico-Catequética de Belo Horizonte.

Fonte. JO Arquidiocese de Belo Horizonte

Para refletir

Como filhos e filhas da mãe de Jesus, meditemos: O que desejamos pescar? Em qual rio lançamos nossas redes? Como experimentamos espiritualmente a presença materna de Nossa Senhora Aparecida na labuta do dia a dia?

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Outubro, mês do jubileu de Nossa Senhora Aparecida, “300 anos de bênçãos” e que nos separam do encontro da pequenina imagem negra nas águas do Rio Paraíba do Sul, interior de São Paulo.