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A Igreja de hoje em busca de um criativo e novo processo de catequese

A Igreja se vê em uma realidade na qual, ao contrário dos primórdios do catecumenato que batizava o convertido, hoje ela necessita trabalhar para a conversão do batizado. Ao lado de catecúmenos que pedem a fé e o batismo à Igreja, para chegar a uma iniciação, também existem novos convertidos, embora batizados quando crianças, que necessitam uma reiniciação.

Após o Vaticano Segundo, com a restauração do catecumenato por toda a Igreja e a prática de experiências variadas, observa-se que, na verdade, neste vasto campo da pastoral catecumenal, o que existe são muitos batizados adultos que não receberam no devido tempo uma adequada iniciação cristã. O sacramento precedeu à catequese. A realidade das famílias de hoje é que, por não terem recebido a educação da fé de seus pais, também não a oferece a seus filhos, e estes só terão acesso a uma catequese paroquial, ainda incompleta e com uma finalidade apenas sacramental.

Nesse sentido e, diante do modelo catecumenal do século IV que contém toda uma riqueza querigmática e mistagógica, a Igreja nos convoca a buscarmos nele elementos de inspiração para a prática catecumenal atual. E uma boa inserção nesse processo catecumenal pede uma ação pastoral enriquecida pela imaginação e criatividade, além do conhecimento das realidades atuais para que se possam constituir testemunhas de fé na esperança, comprometidos no crescimento do reino de Deus.

Falar de Iniciação Cristã é falar de entrada no mistério. Segundo o autor Léon-Dufour, no Antigo Testamento, os segredos divinos se referem ao desígnio eterno de salvação. No Novo Testamento diz-se que os mistérios são as ações salvadoras ou intervenções de Deus na instauração do reino. Ações estas que foram reveladas quando Deus irrompeu na história por meio de acontecimentos. Podemos ler em Mc 4,10-12 quando ele se refere ao mistério do reino de Deus que, na realidade é a pessoa e obra de Cristo. São Paulo nos fala do mistério em seu sentido cristológico: é Jesus Cristo. Segundo Paulo, (cf.1Cor 2,1-6) ele anuncia o mistério de Deus, uma sabedoria que não é deste mundo, mas uma sabedoria de Deus cujo objeto é o mistério, o segredo do desígno da salvação realizado em Cristo, uma sabedoria que de antemão Deus nos destinou para a nossa glória.

Falar de iniciação nunca estará se começando do zero, mas de novos conhecimentos de normas, valores, símbolos e comportamentos. A iniciação inclui funções socioculturais, simbólicas e políticas correspondentes a modelos culturais relacionados com a vida e a morte; ela afeta o mais profundo da pessoa. Além de transmitir esquemas culturais, também situa a pessoa num papel social inteiramente novo. A Iniciação, no seu sentido religioso, ela abrange o conhecimento de certos mistérios, o mistério da fé, que não se trata de uma simples instrução, mas de uma preparação espiritual; Tem a ver com as tradições sagradas, com os mitos, com as crenças e com a conduta. O iniciado na fé descobre um novo sentido da vida mediante a pertença a um grupo, ou comunidade com a qual se identifica, assumindo seus valores e razões de viver.

A iniciação cristã, desde os primeiros séculos do cristianismo estava relacionada com os sacramentos da iniciação, sacramentos estes que são os mistérios do culto cristão ou mistérios salvíficos que tornam presente o mistério de Cristo e sua obra salvadora. Mistérios cristãos que são verdades da Escritura. Já nos séculos IV e V, no auge das catequeses mistagógicas, falavam de iniciação mistagógica. A celebração sacramental é experiência do mistério por meio da fé e nos introduz no mistério da salvação.

A Partir do século XIX, a expressão ‘Iniciação Cristã’ é retomada para designar os sacramentos do Batismo, Crisma e Eucaristia. O Vaticano Segundo utiliza essa expressão várias vezes em seus documentos e afirma que estes sacramentos são de Iniciação Cristã (AG 14; PO2: SC 71). Também essa expressão ‘iniciação cristã’ entrou no título do ritual do batismo de adultos denominado Ritual da Iniciação Cristã de Adultos (RICA). Assim, a Iniciação Cristã será o processo gradual da fé realizada pelo convertido, com a ajuda de uma comunidade de fiéis, para tornar-se membros da mesma por meio dos sacramentos de entrada e a força do Espírito de Jesus Cristo. Compreende assim o aspecto sacramental, a saber, Batismo, Crisma e Eucaristia, e o aspecto catequético, isto é, a educação gradual da fé cristã, compreendida na catequese, celebrada na liturgia e testemunhada na vida.

 

Neuza Silveira de Souza
Coordenadora do Secretariado Arquidiocesano bíblico-catequético de Belo Horizonte

Para refletir

Quando quem crê escuta verdadeiramente no seu coração as palavras de Jesus: “Não tenham medo”, não se sente convidado a fugir de seus compromissos, mas alentado pela força de Deus a enfrentá-los.

José A. Pagola – Revista Mensageiro

Você Sabia

O processo da santificação é exercício diário. A santidade é caminho percorrido, é compromisso assumido, é amor doado, é saída de si. Há tantos santos e santas que estão bem próximos de nós.

Pe. Eliomar – Revista Mensageiro