Tamanho da Letra

As partes da Missa que competem aos fiéis

A Missa é uma ação comunitária por excelência. A Instrução Geral do Missal Romano 34 começa, assim, apresentando as aclamações e intervenções dos fiéis, não meramente como exteriorização da ação comum, mas como meio e realização da sua participação nas celebrações. Isto é, elas são muito importantes – necessárias mesmo – pois não só realizam a comunhão entre o povo e os ministros, mas a comunhão com o próprio mistério de Cristo por meio dos ritos. Aqui, tem-se uma das características mais importantes da liturgia, a sinergia, que quer dizer “ação conjunta”.

A Igreja não entende mais a Celebração Eucarística como uma ação dos clérigos para os leigos, compreensão superada, segundo a qual, o povo de Deus funcionava como ator ou como mero receptor. A liturgia é ação de todo corpo eclesial, ministros e fiéis, cada qual com sua função específica, mas agindo conjuntamente. Há de se recordar que o próprio Deus quis agir conjuntamente com a humanidade em vista da salvação. O agir divino determina que o modo de agir dos membros da Igreja é, por derivação, sinérgico, conjunto. Sente-se aqui uma das grandes transformações do rito romano realizada pela reforma pós-conciliar, mas já preconizada pela Constituição Sacrosanctum Concilium 31, ao determinar que as rubricas prevejam também as partes dos fiéis.

Dentre essas partes são citados nos números 35-37 os diálogos, as aclamações e alguns ritos específicos, como o ato penitencial, a profissão de fé, a oração universal e a oração do Senhor. Citam-se, ainda, as partes cantadas: os cantos processionais, as ladainhas, as aclamações cantadas e os hinos. Faltou citar igualmente outras formas de participação: o silêncio, a escuta atenta à Palavra, a oração da assembleia quando convocada, o salmo responsorial. Tudo concorre para que os fiéis, na liturgia, não sejam mais espectadores. Eles passam a ser sujeitos, realizando na celebração aquilo que a Constituição Dogmática sobre a Igreja, Lumen Gentium (Luz dos Povos), LG 11 diz:

“A índole sagrada e estrutura orgânica da comunidade sacerdotal exercem-se nos sacramentos e na prática das virtudes. Os fiéis, incorporados na Igreja pelo batismo, recebem o caráter que os delega para o culto cristão, e, renascidos como filhos de Deus, são obrigados a professar diante dos homens a fé que pela Igreja receberam de Deus. Pelo sacramento da confirmação vinculam-se mais perfeitamente à Igreja e recebem especial vigor do Espírito Santo, e assim ficam mais seriamente comprometidos, como testemunhas verdadeiras de Cristo, a difundir e defender a fé por palavras e por obras. Participando no sacrifício eucarístico, fonte e ponto culminante de toda a vida cristã, oferecem a Deus a Vítima divina e a si mesmos com ela; e todos realizam a sua própria parte na ação litúrgica, não de maneira indistinta, mas cada qual a seu modo. Alimentando-se do Corpo de Cristo na santa assembleia, manifestam concretamente a unidade do povo de Deus por este augustíssimo sacramento felizmente expressa e admiravelmente produzida.”

Os significados desses avanços são muito importantes. A ideia de caráter comunitário da Missa está vinculada à participação ativa dos fiéis nas celebrações como ação de um povo sacerdotal em diálogo com os ministros ordenados. É uma parceria que não diminui o que é próprio de cada parcela do povo de Deus, mas a afirma e a qualifica na relação com a outra. É o que afirma a LG 10: “O sacerdócio comum dos fiéis e o sacerdócio ministerial ou hierárquico, apesar de diferirem entre si essencialmente e não apenas em grau, ordenam-se um para o outro; de fato, ambos participam, cada qual a seu modo, do sacerdócio único de Cristo” .

Pe. Danilo Lima – Liturgista – Arquidiocese de Belo Horizonte

Para refletir

A Igreja no Brasil proclamou a celebração do Ano do Laicato. O que é ser leigo na Igreja? Na sociedade? Como podemos nos envolver mais e ajudar o mundo a ser melhor?

Você Sabia

Leigo significa “do povo”. Os leigos são todos cristãos que, pelo batismo, estão incorporados em Cristo e, não pertencendo ao clero (bispos, sacerdotes, diáconos), participam na missão da Igreja no mundo.