O sentido espiritual da Quaresma

No tempo da Quaresma, a Igreja toma para si as vestes penitenciais, e propõe o retorno à radicalidade evangélica que – no turbilhão dos acontecimentos diários – pode se tornar demasiado esmaecida. O Espírito de Cristo que nos habita a partir da consagração batismal necessita, sempre e de novo, ser aspirado, com fins de insuflar em nossas narinas aquela vitalidade perene da Páscoa. De fato, ao retomarmos nossa origem pelas vias simbólico-sacramentais das celebrações quaresmais, assumindo-nos e confessando-nos formados do pó da terra, damos o primeiro e decisivo passo para entrar no repouso de Deus.

A Quaresma se estende diante da comunidade cristã como uma “delicadeza de Deus”, expressão muito apropriada de dom João Resende Costa retomada pelo nosso atual Arcebispo há alguns anos. Sim, delicadeza. Este termo conota vários sentidos e a maioria, senão todos, se aplicam a esta iniciativa divina de permitir-nos um tempo para recuperar nossas origens. Deus é delicado porque sutilmente se insinua, sem nos forçar; delicado também por sua perspicácia: conhece-nos por dentro – um atributo confiado ao Filho Amado – tornando-o capaz de misericórdia e paciência perante nosso ritmo, talvez lento, para a conversão. Mas aqui, me parece mais apropriada a expressão atribuída a Deus enquanto revela a gentileza divina.

 

As celebrações litúrgicas da Quaresma oportunizam a experiência de Deus que – na profundidade de seu amor – é paciente e afável com os pecadores; com aqueles que romperam o pacto por Ele estabelecido.  A Liturgia celebrada se caracteriza primeiramente não como discurso mas como a fé em ato; aquilo que as Escrituras e a Tradição registram e transmitem sobre a afabilidade de Deus as celebrações realizam. As celebrações penitenciais, em especial o Sacramento da Reconciliação e da Eucaristia, neste tempo, nos abrem as portas de acesso a Deus que é lento na cólera e diligente na compaixão.  O Pai de Jesus exerce sobre nós sua paternidade.

A Quaresma deveria – sempre – nos lembrar que Deus não se apressa em emitir condenações. Distinguindo bem, entre pecado e pecador, põe em relevo seu amor pelo gênero humano. Assim, o pecado se torna passível de perdão em vista da reabilitação da pessoa à luz da Páscoa de Cristo. Assim rezamos na Quarta-feira de Cinzas: “Ó Deus, que vos deixais comover pelos que se humilham e vos reconciliais com os que reparam suas faltas, ouvi como um Pai as nossas súplicas (…).” E também: “Ó Deus, que não quereis a morte do pecador, mas a sua conversão (…) consigamos, pela observância da Quaresma, obter o perdão dos pecados e viver uma vida nova, à semelhança do Cristo ressuscitado.”

Este tempo me faz lembrar de uma antiga exegese sobre a expulsão do paraíso, dada pelos rabinos de Israel: eles contavam que Deus, antes de mandar Adão e Eva para fora de seu repouso (o jardim em Éden, o paraíso), insistiu para que ambos assumissem a responsabilidade por sua transgressão. Isso quer dizer que o Senhor pôs de lado o pecado em virtude de seu desejo de continuar na companhia daquelas duas criaturas. As cinco semanas da Quaresma mostram-se como esse tempo de insistência em que Deus, delicadamente, nos solicita perto dele num estado de justiça: assumindo coerente e responsavelmente nossa vida. Jesus – que bebeu na fonte dessa tradição – não podia agir de outro modo. Ele é a encarnação dessa insistente paixão de Deus pela humanidade. Por nós, Ele, Jesus, “enfrenta o diabo” numa atitude exemplar de quem não teme a crise (o deserto!), não foge do risco (a tentação!) porque se lembra sempre da Aliança e sabe que por ela deve viver e morrer, para que nós – com Ele, nEle e por Ele – tenhamos uma qualidade de vida que só Deus pode concernir.

A Quaresma é, portanto – e sem sombra de dúvidas – uma delicadeza de Deus

 

Padre Márcio Pimentel (Liturgista)

Alinhados com os sonhos de Francisco

“Sonho com uma Amazônia que lute pelos direitos dos mais pobres, dos povos nativos, dos últimos, de modo que a sua voz seja ouvida e sua dignidade promovida. Sonho com uma Amazônia que preserve a riqueza cultural que a caracteriza e na qual brilha de maneira tão variada a beleza humana. Sonho com uma Amazônia que guarde zelosamente a sedutora beleza natural que a adorna, a vida transbordante que enche os seus rios e as suas florestas. Sonho com comunidades cristãs capazes de se devotar e encarnar de tal modo na Amazônia, que deem à Igreja rostos novos com traços amazônicos”- é o que partilha, sábia e corajosamente, o Papa Francisco na Exortação Apostólica Querida Amazônia.

Fruto esperançoso do abençoado Sínodo dos Bispos para a Amazônia, a Exortação Apostólica, com sua linguagem sapiencial, poética e profética, tem força de convocação: todos são desafiados a seguir o percurso indicado em suas linhas, para promover a vida e ser fiel à missão de toda a Igreja. Cada pessoa, especialmente os evangelizadores, se comprometa a cultivar um novo modo de viver no horizonte intocável do Evangelho de Jesus Cristo. Assim a Igreja inteira assume o compromisso de dedicar-se, sempre mais, à Amazônia, que se apresenta aos olhos do mundo com todo o seu mistério, o seu esplendor e o seu drama.

Dedicar-se à Amazônia exige abertura para o diálogo, escutando especialmente os que mais entendem da realidade desse território, os povos amazônicos e, assim, ajudar de maneira mais qualificada os pobres, excluídos, indígenas, quilombolas, ribeirinhos e migrantes. “Deus queira que toda a Igreja se deixe enriquecer e interpelar por este trabalho; que os pastores, os consagrados, as consagradas e os fiéis leigos da Amazônia se empenhem na sua realização e que, de alguma forma, possa inspirar todas as pessoas de boa vontade”, eis o primeiro sonho do Papa Francisco apresentado na Exortação Apostólica Querida Amazônia.

A Exortação Apostólica, além de indicar a necessidade do cuidado com a Amazônia, orienta a Igreja e o mundo a aprender com o próprio território amazônico, escola de experiências, sabedorias e lições, para mudar dinâmicas e possibilitar vivências coerentes com os ensinamentos de Jesus Cristo. Particularmente, a Amazônia pode ajudar a Igreja de Cristo na exigente tarefa de percorrer caminhos novos e encontrar novas respostas. Consequentemente, contribuir, sempre mais, para que o mundo contemporâneo se aproxime dos valores atemporais do Evangelho. Na Exortação Apostólica, o Papa Francisco convida a Igreja a sonhar. E os sonhos partilhados pelo Santo Padre, se acolhidos como meta e lição, terão propriedade para se tornar realidade na Igreja, no território da Amazônia e em todos os lugares. São quatro sonhos indicados pelo Papa Francisco: um sonho social, um sonho cultural, um sonho ecológico e um sonho eclesial.

No coração pulsante de cada uma das aspirações indicadas na Exortação Apostólica estão interpelações norteadoras. Sonhos que, acolhidos como se espera, reconfiguram juízos e escolhas, fortalecendo a Igreja. Desmontarão, assim, o que já não tem força missionária e reavivará a nova profecia – a ser anunciada na voz da Igreja – para interpelar o mundo a estar no horizonte e a caminho do Reino de Deus, possibilitando novas lógicas de organização e governos, mais fraternidade, justiça e paz para todas as sociedades.  Esse caminho leva ao verdadeiro desenvolvimento integral, com novos hábitos, práticas e lógicas.

O Papa Francisco, em seu sonho social, detalha uma Amazônia que deve integrar e promover todos os seus habitantes, para que possam consolidar o “bem viver”, com a força de um grito profético e um árduo empenho dedicado aos mais pobres. Para isso, são necessárias atitudes que façam frente às injustiças e aos crimes cometidos, aos que ferem o meio ambiente e seus povos. No âmbito cultural, o Papa Francisco sonha com ações que busquem cuidar das tradições. Nas raízes do povo amazônico está a força para se contrapor “à visão consumista do ser humano, incentivada pelos mecanismos da economia globalizada, que tende a homogeneizar as culturas e a debilitar a imensa variedade cultural, que é um tesouro da humanidade”. O sonho ecológico do Papa trata da oportunidade para se conquistar a libertação das escravidões a partir de nova aprendizagem. Se o cuidado com as pessoas é inseparável da dedicação aos ecossistemas, isso se torna ainda mais evidente na realidade amazônica. Sobre o sonho eclesial, o Papa indica o desafio da Igreja na busca de novos caminhos, por sábia e profética inculturação, do ministério e na liturgia, assegurando serviços pródigos a todos. A Igreja deve valorizar sempre mais a religiosidade dos povos e procurar, continuamente, novos modos de servir, para que todos sejam contemplados com os dons dos sacramentos, especialmente a Eucaristia. O sacerdócio seja capaz de oferecer novas respostas e a Igreja se configure, cada vez mais, como Casa da Palavra de Deus, a partir da força vivificante das mulheres, com práticas criativas, inovadoras, autênticas respostas às demandas de evangelização.

No coração de cada pessoa esteja a força interpelante dos sonhos partilhados pelo Papa Francisco e, assim, aprendidas as lições da Exortação Apostólica Querida Amazônia.

Dom Walmor Oliveira de Azevedo
Arcebispo metropolitano de Belo Horizonte
Presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB)

Mensagem do Papa

O Papa Francisco encerrou o ciclo de catequeses sobre o livro dos Atos dos Apóstolos, na Audiência Geral desta quarta-feira (15/01), com a última etapa missionária de São Paulo: Roma.

A audiência, realizada na Sala Paulo VI, teve como tema «Paulo recebia a todos os que o procuravam, pregando o Reino de Deus. Com toda a coragem e sem obstáculos». A prisão de Paulo em Roma e a fecundidade do anúncio.

“A viagem de Paulo, que foi a mesma do Evangelho, é a prova de que as rotas dos homens, se vividas na fé, podem se tornar um espaço de trânsito para a salvação de Deus, através da Palavra de fé que é um fermento ativo na história, capaz de transformar situações e abrir caminhos sempre novos.”

Dinamismo da Palavra de Deus

“Com a chegada de Paulo ao coração do Império, conclui-se a narração dos Atos dos Apóstolos, que não termina com o martírio de Paulo, mas com a abundante semeadura da Palavra. O final da história de Lucas, centrada na viagem do Evangelho no mundo, contém e resume todo o dinamismo da Palavra de Deus, Palavra irrefreável que deseja correr para comunicar a salvação a todos”.

Em Roma, Paulo encontra antes de tudo seus irmãos em Cristo, que o recebem e lhe dão coragem. Esta hospitalidade calorosa mostra quão aguardada e desejada era a sua chegada.

Apesar de sua condição de prisioneiro, Paulo encontra os notáveis judeus para explicar por que ele foi obrigado a apelar para César e conversar com eles sobre o Reino de Deus. Ele tenta convencê-los sobre Jesus, partindo das Escrituras e mostrando a continuidade entre a novidade de Cristo e a «esperança de Israel». Paulo se reconhece profundamente judeu e vê no Evangelho que prega, ou seja, no anúncio de Cristo que morreu e ressuscitou, o cumprimento das promessas feitas ao povo escolhido.

Depois desse primeiro encontro informal, que encontra os judeus bem dispostos, segue-se um encontro mais oficial, durante o qual, por um dia inteiro, Paulo anuncia o Reino de Deus e tenta abrir seus interlocutores à fé em Jesus, a partir da «lei de Moisés e dos Profetas». Como nem todos estão convencidos, ele denuncia o endurecimento do coração do povo de Deus, causa de sua condenação, e celebra com paixão a salvação das nações que se mostram sensíveis a Deus e são capazes de ouvir a Palavra do Evangelho da vida.

A Palavra de Deus não está acorrentada

Segundo Francisco, neste ponto da narração, Lucas conclui sua obra mostrando-nos não a morte de Paulo, mas o dinamismo de sua pregação,  de uma Palavra que «não está acorrentada». Paulo não tem liberdade para se mover, mas é livre de falar porque a Palavra não está acorrentada, mas é uma Palavra pronta para ser semeada pelo Apóstolo.

Paulo faz isso «com toda coragem e sem obstáculos, numa casa onde acolhe aqueles que desejam receber o anúncio do Reino de Deus e conhecer a Cristo.

“Esta casa aberta a todos os corações em busca é uma imagem da Igreja que, embora perseguida, incompreendida e acorrentada, nunca se cansa de acolher todos os homens e mulheres com o coração maternal para lhes anunciar o amor do Pai que se tornou visível em Jesus.”

O Papa concluiu sua catequese, desejando que no final desse itinerário, “seguindo a corrida do Evangelho no mundo, o Espírito anime em cada um de nós o chamado para sermos evangelizadores corajosos e alegres. Que Ele nos torne, “como São Paulo, capazes de impregnar nossas casas com o Evangelho e torná-las cenáculos de fraternidade, onde podemos acolher o Cristo vivo, que vem ao nosso encontro em todas as pessoas e em todos os tempos”.

No final da Audiência Geral, o Papa Francisco saudou os peregrinos brasileiros da Paróquia de Nossa Senhora da Salete, de São Paulo, os peregrinos salesianos de São Paulo, o grupo Gen 3 do Movimento dos Focolares e todos os presentes de língua portuguesa.

Sociedade sem profecias

As profecias são indispensáveis na qualificação do tecido antropológico-cultural que sustenta a vida de uma sociedade. Trata-se da necessária clarividência que deve ser a estrela-guia de todos os processos sociopolíticos e econômicos. Compreende-se que a ausência da profecia pode contribuir na perda de rumos, na cristalização de posicionamentos e dinâmicas que possam levar a desmandos do poder, à corrupção e à indiferença em relação a desigualdades e ofensas contra a dignidade humana, gerando sofrimento, principalmente, para os mais pobres e indefesos. Sem a luz da profecia, impera a obscuridade das trevas, mesmo quando vozes são propagadas, pois lhes falta a coerência necessária para promover transformações.

Conforme escritos e relatos do Antigo Testamento, a história de Israel mostra a importância determinante da profecia para se reencontrar equilíbrio nas relações. É, pois, imprescindível a presença da profecia na configuração de instituições, livrando-as da submissão aos interesses das oligarquias – sempre alheias aos pobres e sofredores. O profeta é aquele que vê o que a maioria não consegue enxergar e a profecia, obviamente, não pode se reduzir a discurso, à linguagem de impropérios, muitas vezes em tom agressivo, sem a devida coerência. O enxergar de modo lúcido não dispensa o profeta do selo de qualidade, próprio dos que cultivam conduta transparente, que não compactuam com os privilégios e as situações injustas denunciadas.

Compreende-se, assim, porque historicamente sempre existiram confrontos entre profetas, sacerdotes e reis. Esses últimos, frequentemente cegados pela posição que ocupam na sociedade, enrijecidos e, por isso, incapazes de mudar, não conseguem conquistar um modo de ver diferente, no horizonte da justiça e da verdade. Quando se apaga a luz da profecia, reinam as obscuridades, multiplicam-se os mecanismos balizadores da injustiça e, irremediavelmente, impera a indiferença, destruidora da intocável sensibilidade humana para o exercício da solidariedade. A ausência de profecia revela-se ainda no descalabro de se falar uma coisa e se praticar outra, denunciar alguém, mas usufruir dos mesmos privilégios.

A profecia é indispensável na busca pelo equilíbrio que redefine práticas, substitui hábitos, qualifica juízos e cria a mentalidade nova, pautada no mais profundo sentido de solidariedade. Importante saber: a profecia não é exclusividade de alguns poucos. Trata-se de um bem a ser praticado por todos. Em uma passagem bíblica no Livro do Êxodo, Moisés é informado que algumas pessoas não reconhecidas como profetas se dedicavam a profetizar. Prontamente, a partir de sua lucidez, Moisés proclama: quem dera se todo o povo profetizasse. Certamente, a justiça e a solidariedade estariam asseguradas no coração da sociedade. Mas, ao invés disso, os profetas sofrem oposição, e até perseguição. A clarividência da profecia incomoda pela propriedade do questionamento frontal ao exercício do poder – quando em vez de compreendido como serviço, passa a ser fonte de decadências, em razão dos abusos, da falta de interesse por Deus, das impiedades e fraudes.

No momento em que a profecia perde vigor, a sociedade se desarticula e surgem cenários sombrios, a exemplo do que se assiste na contemporaneidade. Sem ela, a sociedade não se corrige nem consegue se reerguer. A civilização atual é desafiada a cultivar linguagem profética, expressão da clarividência, capacidade indispensável para não se repetir erros, ou comportamentos como o de falar de um modo, mas incoerentemente viver e agir de outro.

Não basta o leito de qualquer que seja a ideologia, deve-se buscar algo mais, com força para refinar escutas, especialmente os clamores dos pobres, e iluminar o olhar, revigorando a profecia, que faz falta à sociedade. Cada pessoa possa assumir a condição de aprendiz, ciente de que não basta a adoção de discursos “requentados”, enfraquecidos pelas incoerências de seu porta-voz. A genuína profecia é um novo caminho, lucidez capaz de oferecer respostas coerentes. É hora de buscá-la, para consertar uma sociedade sem profecias.

Dom Walmor Oliveira de Azevedo
Arcebispo metropolitano de Belo Horizonte
Presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB)

Mensagem de Natal do Papa

Faltando uma semana para o Natal, o Papa Francisco dedicou a catequese desta quarta-feira (18/12) na Audiência Geral ao modo como estamos nos preparando para acolher o festejado.

Um modo simples, mas eficaz, afirmou o Pontífice, é preparar o presépio, recordando que este ano foi a Greccio – lugar do primeiro presépio idealizado por São Francisco – e que escreveu uma Carta Apostólica a respeito.

Evangelho vivo

O presépio, de fato, é como um Evangelho vivo e nos recorda uma coisa essencial: que Deus não permaneceu invisível no céu, mas veio sobre a Terra, se fez homem.

“Fazer o presépio é celebrar a proximidade de Deus: é redescobrir que Deus é real, concreto, vivo e palpitante. Não é um senhor distante ou um juiz desapegado, mas é Amor humilde, que desceu até nós.”

Parar diante do Menino Jesus no presépio, aconselhou o Papa, é uma ocasião para falar das pessoas e das situações que temos no coração, fazer com Ele o balanço do ano e compartilhar as expectativas e as preocupações.

Ao lado de Jesus, vemos Nossa Senhora e José. A Santa Família é um evangelho doméstico. A palavra presépio, explicou Francisco, significa literalmente “manjedoura”, enquanto a cidade do presépio, Belém, significa “casa do pão”. Esses elementos nos recordam que Jesus é o nutrimento essencial, o pão da vida. “É Ele que alimenta o nosso amor, é Ele que doa às nossas famílias a força para ir avante e nos perdoar.”

Convite à contemplação

O presépio, acrescentou o Papa, nos oferece outro ensinamento de vida: nos ritmos às vezes frenéticos de hoje é um convite à contemplação. Nos recorda a importância de parar. “Porque somente quando sabemos nos recolher, podemos acolher o que conta na vida.”

Francisco contou que ontem lhe deram de presente uma imagem pequena, com José acudindo o Menino e Maria descansando, cujo nome era: “Deixemos a mãe repousar”. “Quantos entre vocês têm que dividir a noite entre marido e mulher para acudir a criança que chora, chora, chora…Deixemos a mãe repousar. É a ternura de uma família, de um matrimônio.”

Imagem artesanal de paz

O presépio, portanto, é a imagem artesanal da paz num mundo onde todos os dias se fabricam inúmeras armas e tantas imagens violentas.

Queridos irmãos e irmãs, concluiu o Papa, do presépio podemos colher o ensinamento sobre o sentido próprio da vida. Agora não estamos mais sós, há uma novidade decisiva: Jesus.

“Jesus vem na nossa vida concreta, por isso é importante fazer um pequeno presépio sempre, porque nos recorda que Deus veio entre nós, nasceu entre nós, nos acompanha e se fez homem como nós. Na vida de todos os dias, não estamos mais sós. Ele habita conosco. Não muda magicamente as coisas, mas, se O acolhermos, todas as coisas podem mudar. Eu então faço votos de que fazer o presépio seja a ocasião para convidar Jesus na vida. Quando fazemos o presépio em casa, é como abrir a porta: entre Jesus. Fazer concreta esta proximidade, este convite a Jesus para que venha na nossa vida. Porque se Ele a habita, renasce. E se a vida renasce, é verdadeiramente Natal. Feliz Natal a todos!”

Mensagem do Papa

A lembrança das etapas na Tailândia e no Japão marcou a Audiência Geral do Papa Francisco na Praça São Pedro. “Para proteger a vida, é preciso amá-la, e hoje a grave ameaça nos países mais desenvolvidos é a perda do sentido de viver”, alertou.

Ao agradecer às autoridades governamentais e eclesiásticas dos dois países, o Pontífice afirmou que a visita aumentou a sua proximidade e o seu afeto por aqueles povos: “Deus os abençoe com abundância de prosperidade e de paz”.

Povo thai: povo do belo sorriso
Começando pela primeira etapa, Francisco recordou que a Tailândia é um antigo Reino que se modernizou fortemente. O povo “thai” é o “povo do belo sorriso. As pessoas ali sorriem. Encorajei o empenho pela harmonia entre os diversos membros da nação e para que o desenvolvimento econômico possa ir em benefício de todos e sejam sanadas as chagas da exploração, especialmente das mulheres e dos menores”. Sobre a religião budista, parte integrante da história e da vida do povo tailandês, o Papa citou o encontro com o Patriarca Supremo e com os líderes ecumênicos e inter-religiosos.

Com a comunidade católica local, o Pontífice viveu momentos de convívio com os sacerdotes, os consagrados, os bispos, os jesuítas. Celebrou duas missas e conheceu de perto o trabalho do Hospital São Luís em prol dos últimos. “Ali experimentamos que na nova família formada por Jesus Cristo existem também os rostos e as vozes do povo Thai”.

Japão: capacidade extraordinária de lutar pela vida

Depois, foi a vez do Japão, cujo lema “Proteger cada vida” acompanhou a sua visita. O país, afirmou, “carrega impressas as chagas do bombardeio atômico e é em todo o mundo porta-voz dos direitos fundamentais à vida e à paz”.

Em Nagasaki e Hiroshima, o Papa rezou, encontrou sobreviventes e familiares das vítimas. “Reiterei a firme condenação das armas nucleares e da hipocrisia de falar de paz construindo e vendendo artilharia bélica.”

Depois daquela tragédia, prosseguiu, o Japão demonstrou uma extraordinária capacidade de lutar pela vida e o fez inclusive recentemente depois do tríplice desastre de 2011: terremoto, tsunami e acidente na central nuclear.

“ Para proteger a vida, é preciso amá-la, e hoje a grave ameaça nos países mais desenvolvidos é a perda do sentido de viver.”

As primeiras vítimas do vazio de sentido, apontou Francisco, são os jovens. Por isso, dedicou um encontro a eles em Tóquio, aos quais encorajou a se opor a toda forma de bullying, e a vencer o medo e o fechamento abrindo-se ao amor de Deus.

“Auspiciei uma cultura de encontro e diálogo, caracterizada pela sabedoria e amplidão de horizonte. Permanecendo fiel aos seus valores religiosos e morais, e aberto à mensagem evangélica, o Japão poderá ser um país condutor por um mundo mais justo e pacífico e pela harmonia entre homem e meio ambiente.”

Queridos irmãos e irmãs, finalizou o Papa, “confiemos à bondade e à providência de Deus os povos da Tailândia e do Japão”.

Fundação Nizami Ganjavi

Antes da Audiência Geral, o Papa Francisco recebeu os membros da Fundação Nizami Ganjavi. Trata-se de uma organização dedicada à memória do grande poeta do Azerbaijão do século XII, com a finalidade de promover a paz no diálogo e no respeito mútuo.

Francisco encorajou a Fundação a prosseguir neste caminho, sobretudo no que diz respeito ao desafio das mudanças climáticas, convencidos de que a cultura do diálogo é a via mestra, a colaboração é a conduta mais eficaz e conhecimento recíproco é o método para crescer na fraternidade entre as pessoas e os povos.

Advento – caminhando para o Natal

Com o advento iniciamos o ciclo do Natal. Tempo de fazer memória da manifestação do Senhor em sua encarnação e em nossa história. O Advento, palavra latina que significa “aproximar-se”é o tempo que nos convida à preparação do nosso coração para receber o menino-Deus. É um tempo que proclama o anúncio do Senhor que vem. Celebrando esse tempo vamos ouvindo vozes sempre atuais daqueles que, no decorrer da história o anunciaram: os profetas bíblicoschegando até João Batista, a voz do próprio Jesus que chega e vem nos anunciar a proximidade do Reino de Deus e nos ensinar como fazer a vontade do Pai.

Vivenciando o ciclo do natal, fazemos a experiência memorial da vinda do Senhor em nossa humanidade através das solenidades do natal, da epifania do Senhor e da mãe de Deus, festas da Sagrada família e do Batismo do Senhor. Na nossa liturgia fazemos muitas referências ao Tempo. Essa palavra é muito importante para a compreensão do caminhar da nossa fé celebrando O Tempo Litúrgico. No decorrer desse tempo temos: o Tempo do advento, Tempo Pascal e Tempo Comum. Através desses Tempos Litúrgicos somos orientados para as celebrações e preparação de cada uma delas, sempre atentos às músicas, ornamentações, cores litúrgicas próprias de cada tempo, os símbolos significativos, respeitando, assim, as características de cada tempo.

O “Tempo” celebrativo carrega consigo particular importância na celebração do Mistério de Cristo. Para o cristão, o tempo é a categoria dentro da qual se realiza a salvação. Este é o motivo pelo qual a Igreja, no decorrer do ano, distribui todo o Mistério de Cristo, desde o Mistério da Encarnação e Natividade, até a Ascensão, o dia de Pentecostes e a expectação (aquele que está em intensa expectativa), da feliz esperança e retorno do Senhor.

Podemos dizer que o Ano Litúrgico não é uma sequência de ideias, de festas, umas mais importantes do que outras, mas é uma Pessoa, Jesus Cristo. A salvação por ele oferecida e realizada “especialmente por meio do Mistério Pascal, da sua bem-aventurada Paixão, Ressurreição da Morte e gloriosa Ascensão” (SC n. 5), é oferecida e comunicada nas várias ações sacramentais que caracterizam o dinamismo do calendário cristão. A história da salvação que continua no dia-a-dia da Igreja constitui, portanto, o elemento de sustentação do Ano Litúrgico.

Podemos olhar para o Tempo do Advento e vê-lo como um tempo para toda a Igreja. Iniciar-se com ele e se deixar conduzir para o dentro do “Mistério” da vida do Cristo participando da mística cristã. Caminhando com ele, também se colocar de plantão, fazendo a experiência do tempo escatológico que o Advento nos proporciona, recordando a dupla vinda do Senhor: a vinda do Senhor entre os homens e a sua vinda, no final dos tempos. Nos dois primeiros domingos nos situamos no tempo escatológico quando a liturgia nos indica os sinais do Reino presente na história através de Jesus Cristo. A partir do terceiro domingo experimentamos a alegria de se perceber próxima a sua chegada e nos preparamos para a sua aparição histórica em nossa carne. É o advento Natalino.

Coloquemo-nos “vigilantes” e preparemos alegremente para vinda do Senhor. Deus é fiel às suas promessas: o Salvador virá.

Como nos diz padre Adroaldo: “O Tempo do Advento tem algo de belo e atraente que mobiliza o nosso coração a entrar em outra sintonia; tal qual um sedutor, ele revela sua capacidade para debulhar dias até completar um tempo que vai nos guiando em direção ao Natal. Um tempo tão tranquilo, tão sussurrante, como um manancial que, em silêncio, vai espalhando vida em todo seu entorno. Tempo que nos convida a sonhar e a viver despertos”.

Neuza Silveira de Souza. Coordenadora do Secretariado Arquidiocesano Bíblico-Catequético der Belo Horizonte.

Advento: Tempo de experimentar a misericórdia de Deus

Advento, Tempo de nos prepararmos para celebrar o nascimento d’Aquele que veio ao nosso encontro, o Sol Nascente, que veio nos visitar, o nascimento que mudou o rumo da história da humanidade e de toda a criação.

Advento, Tempo fecundo de vigilância e oração, na espera da Luz, que resplandeceu naquela Noite Santa, e em todas as noites escuras por que possamos passar, pois quem O acolhe, O ama e O segue, jamais andará nas trevas, como Ele mesmo, um pouco mais tarde, nos falaria.

Advento, Tempo de redescobrir a força e a beleza da Palavra de Deus, Pão que sacia nossa fome, água cristalina para nossa sede de vida, amor, paz e luz para o nosso caminho, ainda que a escuridão teime em nos desviar do verdadeiro Caminho, Verdade e Vida, Jesus.

Advento, Tempo de nos abrirmos à Misericórdia de Deus, que vem ao nosso encontro na Pessoa de Jesus, que, ao Se encarnar, foi a própria misericórdia que se encarnou e habitou entre nós, e no-la ensinou a viver, para que misericordiosos como o Pai sejamos (Lc 6, 36).

Advento, Tempo de todos os dias de nossa caminhada, marcada pela presença de Deus, que guia os nossos passos com a força e a graça do Espírito, permitir que ela infunda em nosso coração o Seu amor, para amá-Lo, como convém, em correspondência desejável de amor.

Advento, Tempo da misericórdia para todos, sem nenhuma exclusão, de modo que ninguém possa pensar ou sentir que é indiferente para Deus, que ama sem exceção e a todos quer comunicar a força de Sua ternura e carícia, através daqueles que n’Ele creem.

Advento, Tempo da misericórdia para todos quantos que se sentem fracos e indefesos, afastados e sozinhos, para que vivenciem a presença de irmãos e irmãs presentes e solidários, nas mais diversas realidades e necessidades.

Advento, Tempo favorável para vivermos com criatividade e ousadia as obras de misericórdia corporais e espirituais, pois o mais belo Natal do Senhor acontece quando O vemos presente em cada um que de nós se aproxima suplicando um pouco de vida, alegria, consolação e paz.

Advento, Tempo da misericórdia, para que os pobres sintam pousado sobre si o olhar respeitoso, mas atento daqueles que, vencida a indiferença, são promotores da cultura da misericórdia e da solidariedade, descobrem e promovem a beleza e a sacralidade da vida.

Advento, Tempo da misericórdia, para que cada pecador não se canse de pedir perdão e sinta a mão do Pai, que sempre acolhe e abraça, assim como puderam experimentar a pecadora surpreendida em adultério, e aquela que ao Senhor muito amou, e aos Seus pés se prostrou (Jo 8,1-11; Lc 7,36-50).

Advento, Tempo de nos prepararmos e ouvirmos Sua Mãe, a primeira que abria a procissão e nos acompanha no testemunho do amor, e nos indica sem cessar o seu Divino Filho, em seu ventre encarnado por Obra do Espírito Santo, e nos manda fazer tudo o que Ele nos disser (Jo 2, 1-11).

Advento, Tempo de nos prepararmos para celebrar com júbilo, na Noite Santa, o Nascimento na fragilidade de uma Criança, e em Seu rosto contemplar “o rosto radiante da misericórdia de Deus”, que se estende de geração em geração, como cantou Sua e nossa amada Mãe Santíssima, Maria. Amém!

PS: Inspirado no parágrafo no parágrafo n.21 da Carta Apostólica “Misericordia et misera”

Dom Otacilio Ferreira de Lacerda

Os leigos dão o húmus para o crescimento da fé

Uma chuva intermitente marcou a Audiência Geral desta quarta-feira no Vaticano. Os doentes foram acomodados na Sala Paulo VI e receberam a saudação do Pontífice antes que se dirigisse à Praça São Pedro.

A catequese foi dedicada ao casal Áquila e Priscila, prosseguindo o ciclo sobre os Atos dos Apóstolos. Na semana passada, o Papa falou da chegada de Paulo a Atenas. Nesta quarta, comentou a prossecução da viagem. Ao deixar o coração da Grécia, o Apóstolo se dirige a Corinto, onde ali encontra hospitalidade na casa de Áquila e Priscila, que, por serem judeus, foram obrigados a abandonar Roma por ordem imperador Cláudio.

Perseguir os judeus não é humano

O Papa fez um parêntese para recordar que povo judeu sempre sofreu na história com expulsões e perseguições. “No século passado vimos tantas brutalidades que foram cometidas e estávamos convencidos de que isso tinha acabado”, afirmou. Mas hoje começa a renascer o hábito de persegui-los.

“ Irmãos e irmãs, isso não é humano nem cristão. Os judeus são nossos irmãos e não devem ser perseguidos. ”

Retomando a catequese, o Papa afirmou que o gesto do acolhimento dos esposos leva a “descentralizar de si para praticarem a arte cristã da hospitalidade e abrir as portas de sua casa para acolher o Apóstolo Paulo”. Deste modo, eles acolhem não só o evangelizador, mas também o anúncio que ele leva consigo: o Evangelho de Cristo. Com o casal, Paulo compartilha também a atividade profissional, isto é, a construção de tendas.

“Domus ecclesiae”

De fato, Áquila e Priscila abrem as portas também para os irmãos e irmãs em Cristo, formando uma comunidade, uma “domus ecclesiae” para a escuta da Palavra de Deus e a celebração eucarística. “Também hoje em alguns países onde não existe liberdade religiosa, os cristãos se reúnem em uma casa, um pouco escondidos, para rezar e celebrar a eucaristia.”

Depois de um ano e meio na cidade, Paulo parte rumo a Éfeso com o casal, e também ali a sua morada se torna um local de catequese. Por fim, os dois esposos fazem regresso a Roma e o Apóstolo chega a fazer um agradecimento ao casal na Carta aos Romanos, afirmando que eles arriscaram as suas cabeças para salvar a sua vida.

“Quantas famílias em tempo de perseguições arriscam suas cabeças para manter escondidos os perseguidos. Este é o primeiro exemplo”, afirmou Francisco.

Os leigos oferecem o húmus

Entre os inúmeros colaboradores de Paulo, destacou, Áquila e Priscila emergem como modelos de uma vida conjugal responsavelmente empenhada a serviço de toda a comunidade cristã e recordam que graças à fé e à evangelização de tantos leigos, o cristianismo chegou até nós. “O cristianismo foi pregado pelos leigos, são eles, em virtude do seu batismo, os responsáveis por levarem a fé”. O Papa citou uma expressão de Bento XVI, que afirma que os leigos oferecem o “húmus” para o crescimento da fé.

Ao se dirigir especialmente aos recém-casados presentes na Audiência, Francisco concluiu:

“Peçamos ao Pai que efunda o seu Espírito sobre todos os casais cristãos para que, a exemplo de Áquila e Priscila, saibam abrir as portas de seus corações a Cristo e aos irmãos e transformem suas casas em igrejas domésticas. Bela palavra… Uma casa é uma igreja doméstica onde viver a comunhão e oferecer o culto da vida vivida com fé, esperança e caridade.”

“ Devemos rezar a estes dois santos para que nos ensinem a ser como eles, uma igreja doméstica, onde haja o húmus para que cresça a fé. ”

JO. Arquidiocese de Belo Horizonte

 

 

 

Mensagem do Papa

O Papa Francisco prosseguiu o ciclo de catequeses sobre os Atos dos Apóstolos, na Audiência Geral, desta quarta-feira (16/10), que teve como tema “Deus não faz diferença entre as pessoas. Pedro e a efusão do Espírito Santo sobre os pagãos”.

“A viagem do Evangelho no mundo, que São Lucas narra nos Atos dos Apóstolos, é acompanhada pela suprema criatividade de Deus que se manifesta de forma surpreendente”, frisou o Papa, destacando que o Senhor “deseja que os seus filhos superem toda particularidade para se abrirem à universalidade da salvação. Este é o objetivo, pois Deus quer que todos sejam salvos”.

Sair de si e se abrir aos outros

Aqueles que renasceram da água e do Espírito são chamados a “saírem de si mesmos e se abrirem aos outros, a viverem a proximidade, o estilo do viver juntos que transforma toda relação interpessoal em experiência de fraternidade”, disse ainda Francisco.

Pedro é testemunha desse processo de “fraternização” que o Espírito quer desencadear na história. Pedro, protagonista nos Atos dos Apóstolos junto com Paulo, “vive um evento que dá uma virada decisiva na sua existência. Enquanto reza, tem uma visão que é como uma provocação” divina que desperta nele uma mudança de mentalidade.

“Ele vê uma toalha grande que desce do alto com vários animais: quadrúpedes, répteis e pássaros, e ouve uma voz que o convida a comer aquelas carnes. Como um bom judeu, Pedro reage, dizendo que nunca comeu nada de impuro, conforme pedido pela Lei do Senhor. Então a voz rebate com força: «Não chame de impuro o que Deus purificou».

“ Com esse fato, o Senhor quer que Pedro não avalie mais os eventos e as pessoas de acordo com as categorias de puro e impuro, mas que aprenda a ir além, a olhar a pessoa e as intenções de seu coração. ”

“O que torna o homem impuro, de fato, não vem de fora, mas de dentro, do coração. Jesus disse isso claramente.”

Segundo o Papa, depois dessa visão, Deus envia Pedro à casa de um estrangeiro incircunciso, Cornélio, “centurião da coorte chamada itálica, religioso e temente a Deus”, que dá muitas esmolas ao povo e orava sempre a Deus, mas não era judeu. Naquela casa de pagãos, Pedro prega Cristo crucificado e ressuscitado e o perdão dos pecados a quem Nele crê. Enquanto Pedro fala, o Espírito Santo desce sobre Cornélio e seus familiares. Pedro os batiza em nome de Jesus Cristo.

Um evangelizador não pode ser um empecilho

“Esse fato extraordinário fica conhecido em Jerusalém, onde os irmãos, escandalizados pelo comportamento de Pedro, o repreendem severamente. Pedro fez algo que estava além do costume, além da lei! Por isso, eles o censuram”, sublinhou Francisco.

“Depois do encontro com Cornélio, Pedro está mais livre de si mesmo e mais em comunhão com Deus e com os outros, porque viu a vontade de Deus na ação do Espírito Santo. Ele entendeu que a eleição de Israel não é a recompensa pelo mérito, mas sinal do chamado gratuito para ser mediação da bênção divina entre os povos pagãos.”

O Papa convidou os fiéis a aprenderem do “príncipe dos Apóstolos que um evangelizador não pode ser um empecilho para a obra criativa de Deus que quer que todos se salvem, mas alguém que favoreça o encontro dos corações com o Senhor”.

A seguir, Francisco perguntou: “Como nos comportamos com os nossos irmãos, sobretudo com aqueles que não são cristãos. Somos um empecilho para o encontro com Deus? Somos um obstáculo para o seu encontro com o Pai ou o facilitamos?”

“Peçamos a graça de nos deixar surpreender pelas surpresas de Deus, de não impedir a sua criatividade, mas de reconhecer e favorecer os caminhos sempre novos pelos quais Cristo Ressuscitado derrama o seu Espírito no mundo e atrai os corações”, concluiu o Pontífice.