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Com Sumo

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Findo o dia da Mulher, a bola, ou o ovo, da vez é a Páscoa. E o comércio já se agita para nos seduzir com suas prendas penduradas em túneis coloridos e gôndolas de chocolate nos supermercados e boas lojas do ramo. Não só lá.

O mundo internético, imenso, infindável, não tem pausa ou sossego. Vibra no bolso a cada momento exigindo um olhar ávido à telinha que brilha, convidando a consumir a novidade que estará velha em alguns segundos.

Nossa civilização ocidental, filha bastarda da união entre o dinheiro e a publicidade, sabe como ninguém capitalizar o efeito catártico do consumo numa data festiva. Lá do céu não é Deus que nos olha, mas o helicóptero da mídia a des-orientar o trânsito migratório e brutal da manada que lenta e freneticamente se move em busca de descontos e liquidações…

E assim caminha a Humanidade, da Páscoa à Mãe, da Namorada ao Pai, da Secretaria à Criança, até chegarmos à agonia do Natal, a apoteose das nossas neuroses com a qual encerramos o ano e, ávidos, nos preparamos para o moto-contínuo que virá no adeus ao ano velho, na saudação ao feliz ano novo, onde tudo se realiza… desde que você tenha muito dinheiro no bolso, saúde pra dar e vender… aos Planos de Saúde…

Todo esse frenesi me faz pensar que uma data homenageando algo ou alguém só tem sentido se ajuda a melhorar os outros dias, aqueles que não são de nada nem de ninguém.

Não vivemos em datas e/ou eventos. Nosso habitat é o cotidiano. A vida é por pontos corridos, apesar de, de vez em quando, acontecerem alguns mata-matas…

Por falar em matar e morrer, viver será isso? Seremos porcos e chesters cevados ao longo dos meses à espera da festa onde seremos o prato principal? Será nossa trajetória vital o curto caminho entre a mesa e a balança?

Nos meus retiros espirituais feitos, muitas vezes, enquanto caminho pela orla poluída da Lagoa da Pampulha, penso no evangelho não escrito de Jesus de Nazaré. Segundo a tradição ele viveu entre nós por pouco mais de 30 anos. Desses, temos cerca de três anos de informações sobre sua vida pública. No mais, silêncio.

Esse tempo silencioso e anônimo é o que mais me interessa. Nele, Jesus viveu no mais humano cotidiano. Viveu e conviveu, o que lhe deu conhecimento e sabedoria para nos dizer que o que vale na vida é amar e ser amado. Só isso.

Se você quer ser um consumidor, que seja de amor…

 

 

Eduardo Machado

09/03/2018

 

 

 

Para refletir

A Igreja no Brasil proclamou a celebração do Ano do Laicato. O que é ser leigo na Igreja? Na sociedade? Como podemos nos envolver mais e ajudar o mundo a ser melhor?

Você Sabia

Leigo significa “do povo”. Os leigos são todos cristãos que, pelo batismo, estão incorporados em Cristo e, não pertencendo ao clero (bispos, sacerdotes, diáconos), participam na missão da Igreja no mundo.