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Liturgia: exercício da função sacerdotal de Cristo

A Liturgia da Igreja, reformada após o Concílio Vaticano II, traz algumas características que não podem ser desconsideradas, sob o risco de retrocesso ou mesmo de negação do espírito conciliar, dentre elas:

A liturgia pertence e diz respeito a todo o corpo da Igreja. É afirmada pelo Concílio não como fato clerical e eclesiástico, mas readquire caráter eclesial em seus princípios e normas. A revalorização dos fiéis na participação ativa e a proeminência da figura do bispo reforçam esse sentido eclesial das celebrações da Igreja.
É desejo ardente da mãe Igreja que todos os fiéis cheguem àquela plena, consciente e ativa participação na celebração litúrgica que a própria natureza da liturgia exige e à qual o povo cristão, “raça escolhida, sacerdócio real, nação santa, povo adquirido” (1Pd 2,9; cf. 2,4-5), tem direito e obrigação, por força do batismo. (SC 14);

As ações litúrgicas não são ações privadas, mas celebrações da Igreja, que é “sacramento de unidade”, povo santo reunido e ordenado sob a direção dos bispos. Por isso, estas celebrações pertencem a todo o corpo da Igreja, manifestam-no e implicam-no. (SC 26)

O bispo deve ser considerado como o sumo sacerdote de seu rebanho, em quem tem origem e de quem depende, de algum modo, a vida dos fiéis em Cristo. (SC 41)

Por isso a vida litúrgica da paróquia e sua relação com o bispo, devem ser cultivadas no espírito e no modo de agir dos fiéis e do clero, e é preciso fazer com que floresça o sentido da comunidade paroquial, especialmente na celebração comunitária da missa dominical. (SC 42)

A Igreja procura, solícita e cuidadosa, que os cristãos não assistam a este mistério de fé como estranhos ou expectadores mudos, mas participem na ação sagrada, consciente, piedosa e ativamente, por meio de uma boa compreensão dos ritos e orações; sejam instruídos na palavra de Deus; alimentem-se na mesa do corpo do Senhor; dêem graças a Deus; aprendam a oferecer-se a si mesmos, ao oferecer juntamente com o sacerdote, não só pelas mãos dele, a hóstia imaculada; que dia após dia, por meio de Cristo mediador progridam na união com Deus e entre si, para que finalmente Deus seja tudo em todos. (SC 48)

A liturgia é ação sacerdotal de Cristo. Tal sacerdócio se prolonga nos ministérios ordenados do bispo, presbíteros e diáconos e também no sacerdócio comum dos fiéis. As riquezas do Cristo-cabeça se difundem para todos os seus membros. Cada um, a seu modo, clérigos e leigos, tomam parte na ação sagrada:

Com razão, portanto, a liturgia é considerada como exercício da função sacerdotal de Cristo. Ela simboliza através de sinais sensíveis e realiza em modo próprio a cada um a santificação dos homens; nela o corpo místico de Jesus Cristo, cabeça e membros, presta a Deus o culto público integral. (SC 7)

Por isso, estas celebrações pertencem a todo o corpo da Igreja, manifestam-no e implicam-no; mas atingem a cada um dos membros de modo diferente, conforme a diversidade de ordens, dos ofícios e da efetiva participação. (SC 26)

Na revisão dos livros litúrgicos, procure-se que as rubricas prevejam também as partes dos fiéis (SC 31).O sacerdócio comum dos fiéis e o sacerdócio ministerial ou hierárquico, apesar de diferirem entre si essencialmente e não apenas em grau, ordenam-se um para o outro; de fato, ambos participam, cada qual a seu modo, do sacerdócio único de Cristo. (LG 10)

A índole sagrada e estrutura orgânica da comunidade sacerdotal exercem-se nos sacramentos e a prática das virtudes. Os fiéis, incorporados na Igreja pelo batismo, recebem o caráter que os delega para o culto cristão e renascidos como filhos de Deus, são obrigados a professar diante dos homens a fé que pela Igreja receberam de Deus. (LG 11)

As celebrações exigem formação, preparação, e ordem. Tais exigências conferem aos ministérios e aos participantes a necessária sinergia que exigem as ações sagradas. Embora não especifique com a nomenclatura “equipe de liturgia”, a Constituição faz supor a existência de uma equipe preparada, imbuída do espírito litúrgico e pronta para promover e incentivar a participação dos fiéis na liturgia:

Os que servem o altar, leitores, comentaristas e componentes do grupo coral exercem também um verdadeiro ministério litúrgico. Desempenhem, portanto, sua função com a piedade sincera e a ordem que convêm a tão grande ministério e que, com razão, o povo de Deus exige deles. Por isso, é necessário que, de acordo com as condições de cada qual, sejam cuidadosamente imbuídos do espírito litúrgico e preparados para executar as suas partes, perfeita e ordenadamente. (SC 29)

Tais artigos das constituições apresentados acima levam à necessária conclusão que a liturgia é uma ação pastoral da Igreja. Tal ação não se restringe às decisões de um membro, ordenado ou leigo, mas devem exprimir o caráter eclesial das celebrações, asseguradas pelos ensinamentos do magistério, pelo ministério episcopal e pela ação pastoral organizada e colaborada entre clérigos e leigos, segundo o espírito da liturgia, a serviço de todo o povo de Deus.

 

Pe. Marcio Pimentel, Liturgista

Fonte: JO Arquidiocese de Belo Horizonte

Para refletir

A Igreja no Brasil proclamou a celebração do Ano do Laicato. O que é ser leigo na Igreja? Na sociedade? Como podemos nos envolver mais e ajudar o mundo a ser melhor?

Você Sabia

Leigo significa “do povo”. Os leigos são todos cristãos que, pelo batismo, estão incorporados em Cristo e, não pertencendo ao clero (bispos, sacerdotes, diáconos), participam na missão da Igreja no mundo.