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Mês dedicado à Virgem Maria

O mês de Maio é conhecido popularmente como o mês de Maria. Neste mês, o Santo Povo de Deus, em nossas comunidades eclesiais, costuma através da Piedade popular, fruto do Evangelho inculturado, expressar sua fé, amor e devoção para com a Virgem Maria. São muitas as manifestações de carinho e piedade, desde cantos a coroações de imagens da Virgem Santa. Essas manifestações expressam o reconhecimento do nosso povo àquela que com o seu sim, permitiu que o Verbo de Deus se fizesse carne no seu ventre. Maria foi na Encarnação de Cristo a porta e a ponte que permitiu que Deus em Cristo viesse até nós.

Maria foi e continua sendo a porta e a ponte que nos conduz a Cristo. Como Mãe da Igreja, nos acolhe e nos indica Jesus, Caminho, Verdade e Vida (Jo 14,6). Ela com sua maternidade, nos indica o seu filho Salvador; “Fazei tudo o que ele vos disser” (Jo 2,5).

Como membro atuante do Santo Povo de Deus, ela não está acima deste povo como Rainha intocada ou sobre-humana, mas também não pode estar abaixo dele como uma figura menosprezada e sem importância. O lugar de Maria é no meio do Santo Povo de Deus, ela é a Mãe que caminha nas estradas da vida junto com seus filhos. Ela não quer tomar o lugar de Jesus em nossa vida, mas nos ajuda com seu exemplo a acolher Jesus no trono do nosso coração. Nesse sentido, nossa devoção a Maria é chamada a ser profundamente eclesial isto é, aberta a Deus e aos irmãos. Uma devoção individualista, que busca somente satisfazer as próprias necessidades, nos afasta de Deus porque não é capaz de ver o outro. Nosso Deus é um, mas em três pessoas, Ele nos ensina que somente na acolhida da alteridade é possível gerar e testemunhar o amor.

A verdadeira devoção a Maria nos ensina como homens e mulheres de fé a ter como alicerce de nossa caminhada cristã três pontos fundamentais que a própria Virgem Maria em sua caminhada seguiu: Primeiro uma escuta profunda da Palavra de Deus que, se acolhida em nosso coração, nos leva ao segundo ponto que é o da Oração, ou seja, o reconhecimento de que necessitamos de Deus em nossas vidas, por isso elevamos a Ele nossos louvores e preces. O terceiro ponto é a oferta de si a Deus e aos irmãos. A Virgem Maria não nos ensina a fazer escambo com Deus, trocas de algumas coisas que oferecemos pelas graças desejadas.

Maria nos ensina a ofertar a vida ao Pai. Toda a sua vida transcorreu através de seu sim: somente oferta ao Pai, até a oferta total de seu único filho à morte. A oferta que fazemos é a escuta e a oração transformadas em ação, em serviço aos irmãos. Por isso Maria vai ao encontro de Isabel para servi-la em suas necessidades (Lc 1, 39-40).

Uma devoção que não nos aprofunda na experiência com Deus, que não nos leva ao encontro do próximo se torna uma devoção vazia e sem sentido, porque não é capaz de nos levar além dos limites do nosso individualismo.

Que a Mãe de Deus e da Igreja, a Virgem Santa nos ajude em nossa caminhada de fé eclesial a sermos homens e mulheres da escuta da Palavra, Missionários que pela força da oração testemunham em meio ao mundo a força transformadora do Evangelho.

Para aprofundamento do tema:

Paulo VI, Exortação Apostólica Marialis Cultus.
Fracisco, Exortação Apostólica Evangelii gaudium, 122-126.

 

Padre Mateus Lopes
Estudante de Teologia Dogmática na Pontifícia Universidade Gregoriana, em Roma

Para refletir

A esperança não decepciona (Rm 5,5)

Nesta perspectiva, a esperança em dias melhores deve pulsar o coração, a mente e as práticas cotidianas do povo. Esta é a nossa meta: ressuscitar a alegria da Nação, construindo uma sociedade justa.

Você Sabia

Outubro chega e com ele o mês missionário. Época que a Igreja convida os cristãos a colaborarem com as missões no mundo. Esse ano, o tema do mês, reforça a importância do discurso das Bem-Aventuranças: “Felizes os que promovem a Paz – Mt 5,9.